sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mistagogia




Partilhando com Catequistas

Mistagogia


A etimologia da palavra nos remete ao mistério, como destaca Mitra Diocesana de Osasco (2011, p. 73):

Mistagogia’ é composta de duas partes: ‘mist’ + ‘agogia’. ‘Mist’ vem de ‘mistério’ e ‘agogia’ tem a ver com ‘conduzir’, ‘guiar’…  Podemos traduzir: a ação de guiar para dentro do mistério. Há outras duas palavras relacionadas: 1) ‘mistagogo’ ou ‘mistagoga’ – é a pessoa que realiza a mistagogia, a pessoa que conduz para dentro do mistério, nos colocando em contato com este mistério, revelando-o; 2) ‘mistagógico’ ou ‘mistagógica’ – é o adjetivo derivado de mistagogia 




Catequese mistagógica.



A catequese mistagógica nos primeiros séculos da igreja se desenvolvia depois do Batismo para aprofundar e dar sentido aos sacramentos da iniciação.
Durante esse período, havia o aprofundamento no mistério mediante a meditação do evangelho, a participação na eucaristia e no exercício da caridade.  Hipólito observa que nesse período “se algo deve ser lembrado ou reforçado aos que tiverem recebido o batismo, o bispo, o fará em segredo” (Hipólito n. 59). Tinha-se por princípio que a explicação prévia iria tirar do batizando a receptividade para o evento e, consequentemente, a experiência do mistério. Era preciso vivê-los primeiro; a explicação vinha depois. É o que nos confirma São Cirilo de Jerusalém:



Desde há muito tempo desejava falar-vos, filhos legítimos e muitos amados da Igreja, sobre estes espirituais e celestes mistérios. Mas como sei bem que a vista é mais fiel que o ouvido, esperei a ocasião presente, para encontrar-vos, depois desta grande noite, mais preparados para compreender o que se vos fala e levar-vos pelas mãos ao prado luminoso e fragrante deste paraíso(Cirilo De Jerusalém,  n.1).






O Papa Bento XVI na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis n.64 orienta que a catequese mistagógica mais que informar “deverá despertar e educar a sensibilidade dos fiéis para a linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos à palavra, constitui o rito”. É necessário vivenciar e fazer a experiência do que se celebra e para isso a mistagogia exerce seu papel direcionando o olhar do recém-batizado para o sagrado.



A Exortação Apostólica Sacramentun Caritatis indica o itinerário mistagógico com a presença de três elementos para a educação a sensibilidade aos sinais e dos gestos:



a)     Trata-se, primeiramente, da interpretação dos ritos à luz dos acontecimentos salvíficos, em conformidade com a tradição viva da Igreja; (...).

b)    Além disso, a catequese mistagógica há de preocupar-se por introduzir no sentido dos sinais contidos nos ritos; esta tarefa é particularmente urgente numa época acentuadamente tecnológica como a atual, que corre o risco de perder a capacidade de perceber os sinais e os símbolos (...).


c) Enfim, a catequese mistagógica deve preocupar-se por mostrar o significado dos ritos para a vida cristã em todas as suas dimensões: trabalho e compromisso, pensamentos e afetos, atividade e repouso. (...).
(EASC n. 64)

  
. “O fruto maduro da mistagogia é a consciência de que a própria vida vai sendo progressivamente transformados pelos sagrados mistérios celebrados” (Exortação Apostólica n. 64), assim à conversão pessoal vai ocorrendo e sendo observada na sua mudança comportamental e testemunhal, dando o devido valor aos símbolos da fé e ao sagrado.




Salve Maria!!!



REFERÊNCIAS:

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Iniciação à vida Cristã: um
processo de inspiração catecumenal. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2010.Estudo da
CNBB, 97

CATEQUESE CATOLICA: Igreja na Idade Média. Disponível em:
de 2011.

DIOCESE DE OSASCO. Querigma e Mistagogia: Caminhos à iniciação Cristã. 1
ed. São Paulo: Paulus, 2011.

MOVIMENTO LITÚRGICO. Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium
Sobre a Sagrada Liturgia. Disponível em:
%20Conciliar%20Sacrosanctum%20Concilium.pdf>. Acesso em 29 de agosto de
2011.

PADRES DO DESERTO: Catequeses Mistagógica: São Cirilo de Jerusalém:
Disponível em: <http://www.padresdodeserto.net/catequese.htm>. Acesso em 28 de
Jan de 2012.